Flauta traversa ou clarinete? Qual escolher para começar
Os dois são madeiras, mas se sentem muito distintos: um sem cana e de lado, o outro com cana e à frente. Comparamos embocadura, digitação, som e bandas.
Depende do som que te atrai e de onde você imagina tocando. Se você se apaixonar por um som aéreo e brilhante, e você vê em uma orquestra, em um grupo de câmara ou tocando jazz latino e bossa nova, escolha a flauta traversa. Se lhe chamar um som quente e versátil, e quer tocar em bandas de vento, porros, fandangos ou jazz tradicional, escolha o clarinete.
Em dificuldade estão parejos, mas o desafio chega em momentos distintos. Na flauta, o difícil é tirar o primeiro som estável. No clarinete, o som sai mais rápido, mas depois há que dominar a cana e atravessar a mudança de registro.
Em resumo
- A flauta traversa não usa cana: o som nasce ao soprar contra a borda da embocadura.
- O clarinete usa uma cana simples; o primeiro som sai rápido, mas os chillidos são frequentes no início.
- Na flauta, as oitavas são alcançadas sobretudo com o ar; no clarinete, a chave de registro muda as digitações.
- A flauta está em do; o clarinete mais comum está em si bemol e é um instrumento transpositor.
- Ambos costumam começar aos 8 ou 9 anos, e a flauta doce prepara muito bem para qualquer um dos dois.
Flauta traversa vs. clarinete: a tabela
| Aspecto | Flauta transversal | Clarinete |
|---|---|---|
| Como o som nasce | Embocadura livre: sopras contra a borda do orifício, sem cana. | Uma cana simples vibra contra o bocal. |
| Primeiro Som | Pode demorar alguns dias a sair estável; no início, perde-se muito ar. | Sai rápido, mas os chillidos são frequentes enquanto se ajusta a embocadura. |
| Postura | Lateral, com os braços elevados para a direita. | À frente, na vertical; o peso descansa no polegar direito. |
| Digitação | Chaves que cobrem os orifícios; as oitavas se fazem sobretudo com o ar. | Agujeiros que se tampam com as gemas, mais chaves; a chave de registro muda as posições. |
| Afinação do instrumento | Em do: o que você lê é o que soa. | Quase sempre em si bemol: é transpositor. |
| Sonido | Brilhante, leve, ágil no agudo. | Registo amplo: grave escuro e quente, agudo brilhante. |
| Consumibles | Não usa canas. | Canhas que se desgastam e são substituídas; gordura para os corchos. |
| Onde se ouve | Orquestra, música de câmara, charanga, jazz latino, bossa nova. | Bandas de vento, porro e fandango, orquestra, jazz tradicional. |
| Idade inicial orientativa | Para os 8 ou 9 anos, com cabeça curva, algo antes. | Entre os 8 e 9 anos, com os dentes definitivos de frente. |
Embocadura livre ou cana: a grande diferença
Na flauta traversa não há nada que vibre dentro da boca. Os lábios formam um orifício pequeno e direcionam o ar contra a borda da embocadura, como quando sopras sobre o pico de uma garrafa. Encontrar o ângulo e a velocidade do ar toma alguns dias, e nas primeiras classes é normal enjoar um pouco por soprar tanto: descansa um momento e se segue.
No clarinete, o labio inferior cobre ligeiramente os dentes de baixo, os dentes superiores se apoiam sobre o bocal e as comisuras sustentam o selo. A cana faz boa parte do trabalho, por isso o som aparece em seguida. O desafio é controlá-lo: morder de mais produz chillidos, e uma cana muito dura ou muito gastada o complica tudo. Aprender a humilhar, rodar e substituir as canas faz parte do instrumento.
Digitação e mudança de registro
Na flauta, muitas notas da segunda oitava tocam-se com a mesma posição que na primeira: o que muda é a direção e a velocidade do ar. Isso faz com que a lógica das digitações seja amável, embora o terceiro registro traz novas posições.
O clarinete não sobe por oitavas, mas por duodécimas. Ao ativar a chave de registro, a mesma posição produz uma nota uma oitava e uma quinta acima, assim que o registro médio tem digitações próprias. O famoso “passo” entre as notas de garganta e o registro agudo exige tapar todos os buracos ao mesmo tempo com precisão. Um conselho de professor: pratica as notas de garganta deixando os dedos da mão direita abaixo, e o cruzamento torna-se mais suave.
Som, bandas e música colombiana
O clarinete tem um lugar especial na Colômbia. É protagonista nas bandas de vento do Caribe, onde carrega melodias de porros e fandangos, e nas orquestras que levaram essa música aos salões. Nas bandas de colégio e municipais, costuma haver uma seção grande de clarinetes, então é um instrumento com muitas portas abertas. Se essa é o seu objetivo, lê sobre bandas de vento na Colômbia.
A flauta traversa brilha na orquestra sinfônica, na música de câmara e na música latina: a charanga cubana, o jazz latino e a bossa nova lhe devem muito. Também aparece em ensambles de música andina colombiana, levando a melodia de bambucos e corredores.
Escolha flauta se... / escolher clarinete se...
Escolha a flauta traversa se...
- Ele atrai um som aéreo, brilhante e ágil.
- Você prefere não depender de canas ou de sua manutenção.
- Você imagina em uma orquestra, em câmera ou tocando música latina.
- Não te incomoda uma postura lateral com os braços elevados.
Escolha o clarinete se...
- Você quer tocar em uma banda de vento ou na banda da escola.
- Te emocionam o porro, o fandango, o jazz tradicional ou o som quente do grave.
- Você se frustra passar dias sem tirar som e prefere soar logo.
- Mais tarde, gostaria de passar para o saxofone.
Veja o que se trabalha nas Classes de flauta traversa e nas Classes de clarinete. Para a compra, veja Como escolher o seu primeiro clarinete.
Se depois você quer mudar ou juntar outro
Entre flauta e clarinete a embocadura é completamente diferente, mas a leitura é transferida em chave de sol, o controle do ar, a respiração e boa parte da lógica das chaves. Muitos vientistas terminam tocando dois ou três instrumentos.
- Do clarinete ao saxofone é um dos passos mais comuns, pela cana simples e a embocadura parecida.
- Da flauta ao saxofone também é natural: ambos suben por oitavas e a lógica das posições parece-se.
- Se a criança ainda é pequena, a flauta doce prepara a respiração, a leitura e os dedos para qualquer um dos dois.
Perguntas frequentes
O que é mais fácil, flauta traversa ou clarinete?
Nenhum é mais fácil em geral. Na flauta custa mais tirar o primeiro som; no clarinete o som sai rápido, mas controlar a cana e atravessar o registro agudo leva tempo.
É normal tonturas ao tocar flauta traversa?
Sim, nas primeiras semanas é comum, porque se sopra muito ar que não entra no instrumento. Descanse alguns segundos quando você passar e deixa que sua professor ajuste sua embocadura para melhor aproveitar o ar.
Cada quanto é que a cana do clarinete muda?
Depende de quanto praticar e de como as cuides. Recomenda-se que você tenha várias em rotação e mude a que soa opaca, está astilhada ou já não responde.
Posso passar do clarinete ao saxofone?
Sim, é um caminho muito comum. Os dois usam cana simples, então a embocadura e o ar se adaptam rápido; o novo são as digitações e o tamanho do instrumento.
