Teoria e técnica

Ritmos colombianos: bambuco, corredor, cumbia e mais

Por que o bambuco se escreve de duas maneiras e a cumbia se conta em duas? Compases, caráter e instrumentos dos ritmos colombianos, com exercícios para começar.

Por Equipamento de A medio tono7 min de leitura

O bambuco e o corredor são ritmos andinos ternários: o corredor é escrito em 3/4, e o bambuco em 6/8 ou em 3/4, um debate de longa data entre músicos e pesquisadores, porque joga com dois sensações de pulso ao mesmo tempo. A cumbia e o porro, do Caribe, são binários: são escritos em 2/4 ou em compasso partido (2/2). O valenato reúne vários ars, em sua maioria binários.

Aqui você tem como se sente cada um, quais instrumentos o sustentam e exercícios concretos para começar a levá-lo no corpo e depois em seu instrumento.

Em resumo

  • O corredor é escrito em 3/4 e está emparentado com o vals europeu do século XIX.
  • O bambuco aparece escrito em 6/8 ou em 3/4 porque alterna a sensação de dois grupos de três e três grupos de dois.
  • A cumbia e o porro são binários: são escritos em 2/4 ou em compasso partido (2/2).
  • Na cumbia tradicional, o chamador marca o contratempo e o tambor alegre improvisa.
  • Para aprender um ritmo, primeiro se leva no corpo com palmas e pés, e depois no instrumento.

Os ritmos colombianos de uma olhada

Compás, carácter e instrumentos (na prática há variantes regionais)
RitmoRegiãoVocê mais usadoCarácterInstrumentos típicos
BambucoAndina6/8 ou 3/4Cadencioso, lírico, às vezes festivoTiple, bandola, guitarra, vozes
PasilloAndina3/4Romântico se for lento; virtuoso se for rápidoTiple, bandola, guitarra, piano, estudatina
CumbiaCaribe2/4 ou compás partidoDe dança em roda, cadenciosoTambor alegre, chamador, tambora, guache, maracas, gaitas ou cana de millo
PorroCaribe (sabanas de Córdoba e Sucre)Você pode jogar ou 2/4Festivo, de bandaClarinetes, trombetas, trombones, bombardino, bombo, platillos, redoblante
VallenatoCaribe (Cesar, La Guajira, Magdalena)Quase todos os seus ars bináriosNarrativo, músicaAcordeão, caixa valenata, guacharaca

Este guia concentra-se no ritmo. Se você quiser conhecer o repertório, os formatos e por onde começar a ouvir, veja o nosso guia. música andina colombiana.

Bambuco: o ritmo que se escreve de duas maneiras

Seis corcheas podem agrupar-se de duas formas: 3 + 3, que é a base de 6/8, ou 2 + 2 + 2, que é a base de 3/4. O bambuco faz sentir ambas à vez: a melodia e o acompanhamento muitas vezes vão com acentos cruzados, um jogo conhecido como sesquiáltera ou hemiola. Por isso há partituras de bambuco em 6/8 e outras em 3/4, e nenhuma das duas está errada. O importante é reconhecer esse balanço.

Exercício de sesquiáltera (5 minutos)

  1. Conta seis corcheas iguais em voz alta: “1 2 3 4 5 6”, a um tempo confortável.
  2. Da palmas em 1 e 4: sentes dois grupos de três, a sensação de 6/8.
  3. Agora dá palmas em 1, 3 e 5: sentes três grupos de dois, a sensação de 3/4.
  4. Alterna: um ciclo de cada forma, sem parar a conta.
  5. Combina: o pé marca 1 e 4 enquanto as palmas marcam 1, 3 e 5. Essa superposição é o coração do bambuco.
  6. Coloque um bambuco gravado e tenta descobrir qual das duas sensações marca o tiple e qual a melodia.

No tiple e a guitarra, o acompanhamento do bambuco combina golpes abertos e apagados; o padrão exato varia segundo a região e o intérprete, então convém aprender com um professor que o mostre devagar.

Pasillo: o vals que se tornou colombiano

O corredor chegou pela via do vals europeu no século XIX e se transformou em um ritmo próprio na Colômbia e outros países andinos. É escrito em 3/4: três tempos por compassos. No acompanhamento, o baixo costuma marcar o primeiro tempo e os acordes completam o compasso, com acentos e deslocamentos que o diferenciam de um vals.

Dois lados do corredor
Pasillo lento ou músicaPasillo rápido ou fiestero
TempoPausadoÁgil, às vezes muito rápido
FunçãoAcompanhar uma letra, muitas vezes romântica ou nostálgicaLuzimento instrumental e dança
Instrumento protagonistaA voz, com trio ou pianoBandola, tiple ou piano com passagens virtuosos
  1. Configurar o Metrónomo para corredor em 3/4, com sotaque no primeiro tempo e um tempo lento.
  2. Marca o 1 com o pé e dá duas palmas suaves no 2 e no 3.
  3. Quando se estabilize, canta ou leve a melodia de um corredor que você conheça sobre essa base.
  4. Sube o tempo de a pouco. O desafio do corredor rápido é que o primeiro tempo continue claro.

Cumbia e porro: o pulso binário do Caribe

A cumbia tem suas raízes na região Caribe, associada sobretudo às ribeiras do baixo Magdalena, e escreve-se em 2/4 ou em compasso partido: dois pulsos por compassos. Em seu formato tradicional, cada instrumento cumpre um papel claro:

Roles em um grupo de cumbia tradicional
InstrumentoO que faz
LlamadorMarca o contratempo de forma constante; é a âncora do grupo.
Tambor alegreImprovisa, adorna e dialoga com a melodia e a dança.
TamboraAporta os graves e reforça o pulso com golpes no adesivo e no aro.
Guache e maracasMantêm uma subdivisão contínua que dá o “movimento”.
Gaitas ou cana de milloEles carregam a melodia.

Exercício de cumbia

  1. Conta “1 e 2 e” a um tempo moderado.
  2. Marca o 1 e o 2 com os pés, como um passo de dança.
  3. Dá uma palma em cada “e”: esse é o chamador.
  4. Quando se sinta natural, adiciona uma subdivisão contínua com um shaker ou com os dedos sobre a mesa.

O porro vem das savanas de Córdoba e Sucre e está ligado às bandas de vento, como as tradicionais bandas pelayeras. Também é binário, geralmente em compasso partido, e tem variantes como o porro palitiao e o porro tapao. Se te chamar tocar em uma banda, lê como começar nas bandas de vento.

Vallenato: quatro ars em um

O valenato não é um só ritmo: reúne vários ars tocados com acordeão, caixa valenata e guacharaca. Os quatro mais reconhecidos são estes, descritos de forma geral:

Os ars do valenato
AireCarácterSensação de compars
SonPausado e cadenciosoBinaria
PaseoModerado; o mais frequente em cançõesBinaria
MerengueÁgil e saltarínTernaria, costuma ser escrito em 6/8
PuyaMuito rápido e virtuosoBinaria

Como começar a tocar ritmos colombianos

  1. Ouça com intenção. Escolha um ritmo por semana e escuta várias versões buscando o pulso, o compasso e o que faz cada instrumento.
  2. Leve-o ao corpo. Faça os exercícios de palmas e pés antes de tocar uma única nota. Se o corpo não o sente, as mãos também não.
  3. Escolha a sua porta de entrada. Para os ritmos andinos, o tiple ou a guitarra no acompanhamento, ou Categoria: Bandala andina na melodia. Para a cumbia e o porro, a percussão ou um instrumento de vento.
  4. Aprenda o padrão base lento. Com o instrumento bem afinado e o metrónomo, repete o padrão até que saia sem pensar, e só então súbele o tempo.
  5. Toca com outros. Gravações, um trio, uma estudatina ou uma banda. Esses ritmos cobram sentido em conjunto.

Perguntas frequentes

O bambuco é escrito em 6/8 ou em 3/4?

Estão ambas as escrituras, e o debate leva décadas. O 6/8 reflete melhor a sensação de dois grupos de três; o 3/4 é mais confortável para alguns acompanhamentos e para ler a melodia. Recomenda-se aprender a ler as duas e sentir o balanço entre elas.

Que diferença há entre bambuco e corredor?

Os dois são ternários e andinos, mas o corredor tem um pulso mais estável de três tempos, com o baixo marcando o primeiro, enquanto o bambuco joga com acentos cruzados entre dois e três. Ao ouvi-los seguidos, o bambuco se sente mais “balanceado” e o corredor mais próximo ao vals.

A cumbia colombiana é a mesma que a de outros países?

A cumbia tem sua origem no Caribe colombiano e desde ali se difundiu pela América Latina. Em vários países se desenvolveram estilos próprios, com outros instrumentos e tempos, que conservam o pulso binário de base.

Que instrumento convém para tocar música colombiana?

Depende do repertório que te atraia. Para a música andina, o tiple, a bandola ou a guitarra; para o Caribe, a percussão tradicional, os ventos ou o acordeão. O mais prático é começar pelo instrumento que mais te emocione ao ouvir e deixar que seu professor te guie para os ritmos que o acompanham.

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