Aprender música

Como decorar uma peça musical: os quatro tipos de memória

Repetir até que os dedos saibam não basta. Uma memória sólida combina quatro camadas e um método por seções com pontos para retomar se você perde.

Por Equipamento de A medio tono6 min de leitura

Para decorar bem uma peça não basta repeti-la até que "se cole" nos dedos. Uma memória confiável combina quatro camadas: a auditiva (sabes como soa o que vem), a visual (ves a partitura ou o teclado em sua mente), a motora (tus mãos conhecem o caminho) e a analítica (entiendes a forma, os acordes e as frases).

A motora chega só quando você repete, e por isso muitos ficam só com ela. O problema é que é a primeira que falha com os nervos ou uma distração. O método que segue trabalha as quatro, por seções e com pontos de ancoragem para retomar se você perde.

Em resumo

  • A memória dos dedos é rápida, mas frágil; refurza-a com memória auditiva, visual e analítica.
  • Antes de decorar, entende a forma da peça: seções, repetições e em que se diferenciam.
  • Memoriza por seções curtas e únelas com um compasso de traslape.
  • Prepara pontos de ancoragem e pratica começar de qualquer um deles.
  • Se você só sai rápido e desde o início, ainda não está memorizada: pruébala lenta e do meio.

Os quatro tipos de memória musical

Cada tipo de memória falha de uma maneira diferente. Reconhecer como se sente cada falha diz o que falta reforçar:

Tipos de memória e como trabalhar
MemoriaO que éComo se nota quando falhaComo Reforçar
MotoraOs movimentos automatizados de mãos, braços e respiraçãoSe você parar, você não pode retomar sem voltar no inícioTocar muito lento e com atenção a cada movimento
AuditivaOuvir por dentro o que vemVocê não sabe o que nota ainda se a mão estiver bem localizadaCantar a melodia, tararear o acompanhamento, ouvir gravações
VisualRecordar a página, o teclado ou o diapasãoVocê não sabe em que parte da obra você estáOlhar a partitura com atenção, visualizar posições com olhos fechados
AnalíticaEntender forma, harmonia e padrõesVocê está errado de seção ou repete a parte que não eraNome de acordes, marcar secções, notar diferenças entre repetições

Antes de decorar: entende a peça

Dez minutos de análise economizam horas de repetição. Com lápis e partitura na mão:

  1. Divide a obra em seções e ponles letras: A, B, A', coda. Em uma canção, identifica introdução, estrofa, coro e ponte.
  2. Marca o que se repete. Muitas peças são mais curtas do que parecem porque voltam sobre o mesmo material.
  3. Encie as diferenças entre repetições. A armadilha clássica é a segunda vez que aparece uma seção com um final diferente.
  4. Escreva os acordes ou a tonalidade de cada parte, embora seja de forma simples.
  5. Assinala onde termina cada frase e onde respiras ou mudas de posição.

Se ainda te custa ler a partitura fluente, começa por aí: a memória se constrói sobre uma leitura correta, e memorizar uma nota errada é difícil de corrigir depois.

Método por seções, passo a passo

  1. Escolha uma secção curta, de quatro a oito compases.
  2. Tócala lenta com a partitura várias vezes, prestando atenção às notas, digitação e som.
  3. Veja ou volte a folha e tócala de memória.
  4. Compare com a partitura. Se houve um erro, corrija-o e repete até que saia bem várias vezes seguidas.
  5. Longe do instrumento, cântala ou repásala mentalmente sem tocar.
  6. Use-a com a próxima seção tocando o último compasso de uma e o primeiro da outra.

Um truque que muitos professores recomendam: memoriza de trás para a frente. Se você começar pela última seção, o final da obra fica como a parte mais praticada, e não a mais fraca como costuma passar.

Pontos de âncora: sua rede de segurança

Um ponto de âncora é um lugar da obra de onde você pode arrancar sem dúvida: o início de uma seção, a entrada do coro, uma mudança de tonalidade.

Depois pratica começar a partir de qualquer um deles, em desordem. Escreva os números em papelinhos e tira um ao acaso, ou pídele a alguém que te diga desde onde começar. Se numa apresentação você perde, não tenta lembrar a nota exata que foi: saltas para a próxima âncora e sigas com o pulso.

Dicas segundo o seu instrumento

Piano

Memoriza cada mão separadamente, sobretudo a esquerda, que é a que mais costuma falhar porque se pratica pensando na melodia. Nomeia em voz alta os acordes do acompanhamento. aulas de piano É comum trabalhar também a memória da posição no teclado, não apenas das notas.

Violino

Além das notas, memoriza as mudanças de posição, as digitações e os arcos: acima ou abaixo, em que parte do arco e quantas notas vão ligadas. Canta a obra com os nomes das notas e aprende também onde entra o piano acompanhante. Classes de violino O professor ajuda você a fixar essas decisões antes de decorar, para não aprender algo que depois toca mudar.

Guitarra

No repertório clássico de guitarra, memoriza a digitação da mão direita (p, i, m, a) tanto quanto a da esquerda. Em canções, aprende a progressão por graus e não só por nomes de acordes: se você sabe que o coro vai do primeiro grau ao quarto e ao quinto, pode tocar em qualquer tom e é mais difícil perder. Se você canta e toca, memoriza letra e acordes juntos, sílaba por sílaba onde muda a harmonia.

Como verificar que você realmente sabe

  • Tócala lenta de princípio a fim sem te deter.
  • Começa a partir de três ancoragens escolhidas aleatoriamente.
  • Repásala mentalmente de princípio a fim, por exemplo no ônibus ou no TransMilênio, ouvindo cada nota por dentro.
  • Escreva os acordes ou a estrutura em um papel sem olhar para a partitura.
  • Tócala depois de um dia sem praticar, a frio.
  • Tócala com uma distração: alguém falando, televisão acesa ou frente a uma pessoa.

E não deixe de rever a partitura cada tanto que você já a saiba: com os dias, pequenas mudanças de ritmo ou de notas sem que você o notes. Se você vai tocar em público, siga com o nosso guia para preparar o seu primeiro recital.

Perguntas frequentes

Quanto tempo você toma decorar uma peça?

Depende do comprimento, da dificuldade e da sua experiência memorizando. O importante é começar com o tempo: memorizar a corrida na semana de uma apresentação deixa uma memória frágil que normalmente falha com os nervos.

É melhor decorar desde o início ou quando já a toco lendo?

Convém decorar quando as notas, o ritmo e a digitação já estão corretos, para não fixar erros. Daí você pode ir memorizando a seção por seção enquanto você ainda pulando a obra.

Por que me esquece a peça justo quando toco frente a outros?

Porque os nervos afetam primeiro a memória motora, que funciona em piloto automático. Se você tem também memória auditiva, visual e analítica, e pontos de âncora preparados, você tem de onde se agarrar. Para lidar com os nervos, leia como vencer o medo cênico.

Ouvir muitas vezes a peça para memorizá-la?

Ajuda a memória auditiva, mas não substitui o trabalho no instrumento. Ouvi gravações com a partitura na frente e seguindo as seções que marcam, não apenas como música de fundo.

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